
O Bula Prêmio de Poesia nasce de uma impaciência antiga: a recusa ao poema envernizado, inofensivo, desenhado para ornamentar em vez de mexer em qualquer coisa. Este prêmio existe para assinalar o instante em que a língua erra de propósito, tropeça, corta, hesita — e, nesse movimento mínimo, reorganiza a experiência de leitura sem pedir desculpa nem aplauso.
Não buscamos nomes conhecidos, carreiras consolidadas ou currículos impecáveis. Interessa o poema que aceita o risco: que empurra a sintaxe até a borda, fricciona sentidos, desconfia das formas prontas de sentir e de nomear. Textos que forçam o leitor a interromper o piloto automático, voltar ao começo e admitir, ainda que a contragosto: “agora tudo parece deslocado”.
Com tema livre e um total de R$ 35 mil distribuídos entre dez poemas, além de publicação em e-book pela Amazon Kindle Unlimited, o prêmio pretende registrar um recorte nítido da poesia escrita hoje em português: suas manias, regiões de sombra, linhas de ruptura.
O Bula Prêmio de Poesia é, sobretudo, um campo de experimentação acompanhado de perto: um lugar onde a voz contida ou estridente, contada em métrica rigorosa ou em quebras improváveis, assume as consequências do que escreve. Aqui, ler é apenas o começo. O compromisso real está na possibilidade de remodelar o mundo, verso após verso.